9 de jan de 2012

Será que os políticos evangélicos exercem influência?

Revista faz análise do tipo de influência que políticos evangélicos exercem

A força da bancada evangélica no governo atual desagrada a muitos

Bancada Evangélica reunida com Michel Temer
A edição de dezembro da Revista Viés fez uma matéria assinada pelo jornalista Felipe Severo  analisando a força da bancada evangélica no governo atual. Em pauta, o fato de o Estado ser laico, mas a pequena bancada dos evangélicos exercer grande influência em algumas questões.
Segundo a Frente Parlamentar Evangélica, nas eleições de 2010, a bancada cresceu de 46 deputados (9% do total) para 68 deputados (13,2%). Isso significa um aumento de mais de 50% de uma eleição para a outra. No Senado, dos 81 senadores, apenas 3 se declaram evangélicos: Walter Pinheiro (PT-BA), Magno Malta (PR-ES) e Marcelo Crivella (PR-RJ).
Embora não sejam todos do mesmo partido, se fossem reunidos em um só, seriam a terceira maior do Congresso. Ficariam atrás de PT e PMDB, e empatados com o número de parlamentares do PSDB.
A maioria dos membros são oriundos da Assembleia de Deus, que durante a campanha mostraram sua força, juntamente com os membros da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), gerando debates acirrados sobre a legalização do aborto.
Segundo a matéria, os “Evangélicos preenchem buracos, suprem onde o governo falha e daí conseguem apoio fácil, a militância LGBT, assim como várias outras dos movimentos sociais, no geral, é submissa a um modelo, grande parte dela está partidarizada e com prioridades nada ligadas à causa que deveria defender”.
A conclusão é que mesmo sendo minoria, os evangélicos mandam. Recentemente, a presidente Dilma assinou a Medida Provisória que faz cadastro nacional de grávidas. Logo, quem abortar terá maior possibilidade de ser punida. Esta era uma das pautas da bancada evangélica.
O jornalista da Revista Viés não faz elogios à bancada evangélica, pelo contrário. Ele afirma que os parlamentares evangélicos “tem feito o monitoramento de 368 projetos da Câmara e do Senado, a maioria referente a questões de direitos individuais, e agido não de acordo com o programa dos seus partidos, legalmente constituídos e pelos quais foram eleitos, mas sim pelas orientações religiosas a que professam”.
Uma das últimas vitórias da Frente evangélica foi o Projeto de Lei nº 1.763/2007, que prevê o pagamento de um salário mínimo durante 18 anos para mulheres vítimas de estupro, para que mantenham a gravidez e criem seus filhos.
Esse Projeto tem um aspecto bastante polêmico: psicólogos cristãos devem atender as mulheres vítimas de estupro, na tentativa de convencê-las sobre a importância da vida e de manter a gravidez. Tudo, obviamente, pago pelo Estado.  Representantes de várias correntes contrárias a essa opção, e favoráveis ao aborto se manifestaram contra o projeto.
Mas nem tudo é vitória para os deputados dessa bancada. Embora tenham conseguido barrar o chamado “Kit gay”, material do Ministério da Educação que seria distribuído nas escolas defendendo o homossexualismo como opção natural.
A presidente Dilma mandou suspender o kit, chamando-o de “inadequado”. A luta contra a PL 122, que tanto tem sido pauta de discussões e movimentação por parte dos evangélicos do país, ainda não foi ganha.
Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou a união homoafetiva estável. Em outubro, o Supremo Tribunal da Justiça (STJ) aprovou o primeiro casamento homoafetivo, abrindo precedentes para a prática seja adotada em todo o país.
Tudo que a Frente Parlamentar Evangélica conseguiu, pela atuação de seu presidente, o deputado João Campos (PSDB-GO), foi um pedido de inclusão na legislação brasileira de um dispositivo que impeça que igrejas sejam obrigadas a celebrar cerimônias de casamento entre homossexuais.
Com informações Eleições Hoje e Revista O Viéis

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